Adriana Aneli

Prefácio · do livro Tempestade urbana

Bem-vind@ à tempestade!

Jorge Nagao

Pegue capa e guarda-chuva porque você (assim que se livrar deste prefácio/“predifícil”) logo estará sob uma chuva de emoções e um vendaval de criatividade.

Não é bem uma tormenta, é uma tempestade poética, não tema os raios que iluminam a triste realidade, aprecie o ritmo dos versos e a sonoridade da poesia de Adriana Aneli.

Tempestade urbana não é feita apenas de chuva principalmente por estas bandas esquecidas por São Pedro, o mandachuva. Entretanto, como o stress é comum, por qualquer motivo, o tempo fecha e o caos se instala.

A urbe é punk e nada escapa do olhar da poeta que faz justiça com o seu próprio dom, o da poesia. Aí entra a poeta-fotógrafa e com sua sensibilidade e visão humanista, percebe a gentileza num menino, que batalha pelo pão nas esquinas da metrópole, que oferece um chocolate para a moça apressada.

A poeta eclética lembra outros artistas e outros profissionais. Poeta-arquiteta registra um fato triste como no poema “Era uma casa muito engraçada”, sobre um sem-teto, do tipo rir para não chorar. Confira.

Poeta completa além de compor o poema, ela declama nas páginas do Face “Tempestade Urbana” e “Boca a Penas” que edita com a sua valiosa parceira Chris Hermann. Lá divulga outros poetas e artistas de outras áreas, conquistando a atenção de milhares de seguidores.

Cinéfila, nomeia alguns de seus poemas com títulos de filmes: Casa dos espíritos, Paisagem na neblina, Cidade sitiada, que retratam perfeitamente o cotidiano da capital.

Poeta porreta, fulltime, fullgas, fulminante com o seu desfecho sempre surpreendente com a sua arte e manha.

Ao escrever sobre as mazelas da sociedade, AA é a poeta-jornalista, que denuncia em vão, pobre poeta! Gramsciana, porém, ela é pessimista no prognóstico mas otimista na ação.

Esta singela poeta-metereologista, faz previsões certeiras direto das nuvens. Não é uma mentirologista.

Poeta que flerta com o belo mas consciente com a miséria que a cerca. Apesar do caos externo ou interno, sempre sorri.

Poeta que não apela à rimas forçadas para dar o seu recado. E se precisar desenhar para o leitor entender, essa ilustre poeta desenho, ilustra.

Com escala nas estações Muros, Invisíveis, Amantes e Horizonte, prepare o seu coração, porque essa Adriana Aneli é do babado.

Enquanto escrevia, lembrei-me da canção “O sol nascerá” do imortal Cartola e Elton Medeiros, que tem tudo a ver com este livro: “finda a tempestade, o sol nascerá”.

Ratificando o que escrevi no catálogo da exposição “Flores e Valores”, outro projeto desta incansável poeta: “Est très chic, est très belle / tem muita adrenalina / é poesia à flor da pele, / viva esta poeta divina, / viva Adriana Aneli!”