Adriana Aneli

Poema · do livro Tempestade urbana

de volta à cidade escura

à rua sem saída
aos degraus irregulares da subida
de volta ao que nunca acaba
ou muda
reflexo rápido dos faróis dos carros
de volta ao choro desfocado
buzinas arranhadas
de volta à árvore condenada
ao fôlego ao cimento fresco
de volta à sujeira disfarçada
(o glamour dos shopping centers)
de volta às gruas caçambas baladas
de volta aos desvios
às sombras que escapam
de volta às janelas às quedas
ideias que pareciam superadas
de volta aos rancores
ao coração vazio
de volta ao começo ao frio
e ao medo.