o grande circo místico
Leio
apreendo da linguagem
comum e esquecida – ela também
o milagre possível
Leio seu espetáculo
pratos girando e regirando
corrida pelo picadeiro
lanças afiadas
ou bailarina alada
equilibrista no lombo do tempo
Arrasto correntes
mamute dissonante
arranco palavra aos pedaços\
- repito a prova
(a vida é um curso de ver
com olhos de ver
farejar
com olhos de ouvir
lamber os dedos após engolir o verso)
Minha voz falha
e falha em tudo
salvo na poesia que leio num tom infantil
blocos assimétricos
amarelinha de um pé só
Falho em tudo
mas não falha em mim
o poema
que progride como doença
tropeça na lona desmontada
mete a língua e retira
da boca
o substantivo e o verbo.