Adriana Aneli

Poema · do livro Tempestade urbana

debate amoroso

poesia não tem sexo
entra em qualquer porta de banheiro público
usa saia se quiser
se quiser põe terno
se quiser é arco-íris
e desfila na paulista protestando por igualdade
poesia não disputa salário
não engravida
nem banca as contas de casa
poesia não cozinha não troca fralda não troca pneu
poesia é escrita por mãos
femininas e calejadas
suaves e masculinas
por direitos conquistados
e posturas renovadas
poesia fica tatuada na pele
na alma livre e nua.