Um dia perfeito para o peixe-banana
Atleta. Dos 12 aos 17 anos colecionou vitórias. Com a maioridade, passou a administrar perdas: o cachorro da família, o câncer do pai, o acidente do irmão, o coração da mãe, a boa forma física, e com ela, a namorada. Sem emprego, sem dinheiro, sem vontade, desistir pareceu uma escolha natural. Bom jogador, criou as próprias regras: sem dor — descartou a gilete, a queda, a corda; sem margem para erro —, descartou revólver, veneno e remédios. Optou pelo gás de cozinha. Decidido, foi. Mas, ao lado do fogão estava a lata de café solúvel. Amornou o leite. Sentou no sofá. Assistiu à noite que se despedia e ao dia que começava. Espreguiçou pernas e braços… sorriu: há sempre um pouco de paz em cada xícara de café com leite.