Adriana Aneli

Conto · do livro Amor expresso

Encontros e desencontros

Olhou à sua frente, a adolescente fazia círculos na toalha com a ponta dos dedos. Não tinha ideia do que ela gostava. Do que não gostava, ainda menos. Encontraram-se há pouco menos de cinco minutos, mas entre eles o silêncio pesava. A garçonete os socorreu com seu bloco de pedidos. — E o que vão querer? A reposta saiu conjunta: expresso, por favor. Continuaram estranhos. Não sabiam por onde começar. Pudera, a última vez que a viu, não tinha completado seis anos. Um do outro, só conheciam a ausência. — Pra você, o de sempre, disse a garçonete… E para a mocinha, açúcar ou adoçante? — Canela, por favor. — Você também, filha?! Ela ergueu os olhos pela primeira vez desde que chegara e ele segredou, passando-lhe o pote: — É um hábito da nossa família, sabe? Ela não sabia, mas estava pronta para descobrir, pensou, enquanto num toque de mãos uma década inteira desaparecia entre eles.