Adriana Aneli

Conto · do livro Amor expresso

A hora do lobo

Dezesseis anos recém-cumpridos. Primeira vez no cinema sozinha. Estava vazio. Sentou-se atrás, meio da tela. Dez minutos depois percebeu alguém ao seu lado pelo cheiro de bala de café que exalava. Empolgada com a escolha, envolvia-se cada vez mais na trama. Demorou a perceber a mão que subia pelo seu joelho. Em pânico, torceu com força os dedos do sedutor. Mudou de lugar e viu de canto de olho o vulto que saía. Um imbecil não a faria perder o final do filme.