Adriana Aneli

Conto · do livro Amor expresso

O escafandro e a borboleta

Ainda lutava. Secretamente, porque ao redor ninguém mais acreditava. Por oito anos em coma ouviu passos espaçarem, choros se tornarem raros. Naquele torpor, ela entrava. Pontualmente. Apoiava a caneca de café coado na mesinha ao lado de sua cabeça e ia bebericando, enquanto procedia à minuciosa limpeza do corpo inerte. E por isso ele ainda lutava. Secretamente.