Adriana Aneli

Conto · do livro Amor expresso

Beleza roubada

Desde a adolescência sofria a maldição da beleza. Não tinha a estética fácil, que se nota ao primeiro olhar; nem a outra, que intimida e torna inalcançável. Apenas um encanto simples, que brotava dos olhos, mas seduzia como um abismo. Em troca dessa fortuna, o que olhava virava desencanto; amar, que parecia fácil, tornou-se um grande problema. Bastava se apaixonar, que nascia o ciúme… e do ciúme, alguma tragédia. Passou a viver pelas beiradas, cabeça baixa, sempre de óculos escuros. E se isolou. Mal saía de casa, usava deliverys, comprava no quiosque da rua um café e saía tomando apressada. Naquele dia comprou seu Venti. Então se encontraram desastradamente… bengala branca para um lado, expresso triplo pelos ares. Vivem juntos e livres, até que a morte os separe.