Estômago
Nos bancos do portão de embarque, disfarçava a tentativa de vencer o medo de avião. Ele, em pé ao balcão, tolerava a terceira viagem da semana, apressando uma xícara de café quente, enquanto conferia, ao celular, o horário do próximo compromisso. Para distrair a espera, ela retirou da bolsa um pacote. A mão tremeu no caminho da broa de fubá à boca. Ele desligou o celular assim que a viu. Em dois passos já estava ao seu lado: — Caseira? É mesmo caseira? — É sim. Aceita? Tenho mais aqui… Mastigavam em silêncio. Ela, sem lembrar o medo; ele se esquecendo da própria vida, enquanto esperavam a hora do voo.