Adriana Aneli

Poema · do livro Tempestade urbana

estranhos

somos
estranhos
atravessando a rua
em cabelos e roupas
estranhos no gesto
com que pedimos refrigerante no bar
estranhos
ao volante do carro
furiosos
com o estranho
que atravessa a rua
distraídos na calçada amamos
e odiamos
indiferentes às nossas esquisitices
estranhos ao rir
ao confessar
na hora errada
o desespero
estranhos ao entrar na casa
sentar no mesmo lugar
à mesa
com os mesmos estranhos
estranhos a querer
e a sonhar inadequados
ao ver no espelho
o estranhamento que é a vida.