Adriana Aneli

Conto · do livro Amor expresso

O ovo da serpente

Quando ele pediu o divórcio, a casa dela caiu. Sentiu tanto ódio. Arrancaria os olhos dele — se pudesse. Tudo aconteceu a um palmo de seu nariz, mas ela não desconfiou de nada. Coloca seu segredo contra o sol, que ninguém enxerga — dizia ele. Minha vida está garantida, pensava ela. Então soube que “aquela” adorava café. Riu orgulhosa da sua vingança: aceitava a separação, desde que ele não levasse a cafeteira Illy. Aliviado, ele concordou… despediu-se melancólico da antiga vida e, de mala na mão, atirou-se à vida que o esperava. Sem a cafeteira, porém, o ciúme estava instalado: ceder foi sinal de fraqueza… ou você busca a cafeteira, ou eu não fico com você — ouviu, enquanto às suas costas, a porta do novo apartamento bruscamente se fechava.